A coragem de assumir que curto filmes natalinos
O primeiro que assisti foi uma escolha aleatória, em busca de algo mais leve para espanar da cabeça a poeira escura desses dias nebulosos, que vivemos juntos. Fora a poeira da vida pessoal, que não há quem possa dizer que não tem.
Depois, um pouco por preguiça mental de procurar outros temas leves, continuei. Quando meu dia de trabalho termina, por volta das nove da noite, eu escolho um filme com tema de Natal e me acomodo com pipoca ou salada de frutas para curtir um momento fora do mundo.
São filmes que falam de milagres de papai noel ou Papai do Céu, reencontro de namorados de infância, perdão entre familiares ou amigos. Alguns têm um toque de magia. Todos têm o brilho das luzes, as soluções simples e rápidas – e perfeitas – para o voo cancelado, o emprego perdido, as relações quebradas.
Tudo em meio à brancura da neve, casinhas de biscoito de gengibre, pinheiros naturais para enfeitar e perfumar a casa e outras tradições que não fazem parte da nossa realidade. Algumas histórias e produções são até descuidadas, com atores de talento bem questionável (mas todos lindos, bem penteados e usando as cores clássicas do Natal, rs).
Outros filmes têm um capricho a mais e alguns nomes reconhecidos. Um dos meus preferidos é “O trem de Natal” com Dermont Mulroney, Danny Glover e Joan Cusack. Sou muito fã dos três.
Desligar a mente é tarefa difícil
Fechar as portas da mente para o mundo ruidoso e intolerante que habitamos hoje não é nada fácil e como sou péssima em meditação, essa tem sido minha pequena fuga. ‘À espera de um milagre’ que possa colocar nosso planeta azul de novo no prumo.
Enquanto assisto, me esforço para que a mente não divague pela dureza das tarefas, que estão mais difíceis de cumprir, por conta da máscara, filas e horários reduzidos para funcionamento dos serviços. Sem falar do receio, onipresente, de ser contagiado pelo coronavírus ou, pior, por essa raiva incontida e mal explicada que vêm aflorando por aí.
Que os enredos dos filmes natalinos, de simplicidade gritante, flertam com a profundidade de uma das frases mais lindas da literatura: *O que a vida quer da gente é coragem.
![]() |
| Maria D´Arc Hoyer é jornalista |
Rena – Photo by Chris Greenhow on Unsplash


