A casa inacabada
A construção do sobrado da família era seu projeto de vida para dar segurança à esposa, deixar um legado aos seus. Ele partiu aos cinquenta e poucos anos de vida, mas ainda faltando um bocado para concluir a obra. Vida de brasileiro não é fácil não.
Certamente deve estar contente por onde anda, se puder ver que as ações para seguir com o projeto da casa têm mobilizado os filhos, ajudando a seguir com a vida. Os pais sempre sabem.
A casa inacabada está bem longe de ser uma mansão de 6 milhões, mas é um alento observar o que ela representa para os que ficaram. É um sonho de gente simples e verdadeira, que batalha uma vida inteira, não lucra em expedientes duvidosos e não faz pouco caso das dores de ninguém, porque também sente muitas delas na própria pele.
Desde que o desfecho ocorreu nossa rua está silenciosa. Não tem mais aquela troca de brincadeiras entre os vizinhos, que ocorria mesmo a distância e com máscara. Nos olhamos desconfortáveis e o “bom dia” é chocho. A desesperança nos espreita, pronta para dar o bote.
Poderia ser diferente o fim dessa história? Quem sabe? Mas o que falta para o sagrado conforto pós-perda é a certeza de que tudo que poderia ser feito, foi feito.

